saí do trabalho às nove e já estava escuro.
- o verão acabou. - pensei alto enquanto subia as escadas que ligavam as ruas estreitas entre a minha casa e o café onde trabalhava.
eu havia chegado a lisboa no início do verão e este se desenrolou enquanto estive ocupada com tudo aquilo que imigrar para um novo país envolve. foram quatro meses intensos quando tive que encarar de frente todos os meus monstros.
em portugal - pensei eu antes de vir - tudo será mais fácil pois falarei minha própria língua, mas nem tudo está na língua - descobri depois. descobri que a burocracia é burra e lenta em qualquer lugar e que a língua não era exatamente a minha.
agora os dias já não começavam antes de acordarmos e terminavam depois do jantar. o calor abrandava e eu pensei nos meus casacos todos guardados em caixas na escócia. o inverno ia chegar e eles tão longe.
algo estava errado e precisava ser corrigido, eu não podia mais viver assim perdendo estações pelos vãos dos dedos, torcendo ao acordar para que o dia no quente e cansativo trabalho no café passasse depressa para eu poder anestesiar minha mente com haxixe até a manhã seguinte.
- basta! - enfiei na bolsa the moveable feast de hemingway, the portable beat reader (contendo textos dos mais relevantes autores e poetas beat), dois cadernos, um lápis, borracha, apontador, dez euros pros cafés, pedi demissão, me sentei na sombra da calçada de um ótimo café no chiado e me pus a escrever.
31.8.09
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1 comentários:
muito bom. depois de ler tua carta e esse post, a primeira e única coisa que pipoca na minha mente e monopoliza meus pensamentos, é que a nossa geração precisa muito de atitudes como essa tua. inspirador tudo isso? há! vai vendo.
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